Skip to main content

Quais são as perspectivas para a saúde dos brasileiros em 2018?

Vamos imaginar o cenário da saúde no mundo no início do século XX: a mortalidade por doenças que hoje quase nem existem mais –  cólera, sarampo, difteria ou tétano, por exemplo –  era altíssima; a penicilina não tinha sido descoberta; a sífilis não tinha cura; a tuberculose matava; as cirurgias eram precárias, realizadas em casos extremos, com muita dor e com altíssima possibilidade de dar tudo errado;  crianças morriam com frequência alarmante; a poliomielite deixava milhares de pessoas com deficiências e incapacitações e tantos muitos outros exemplos devastadores.

Em apenas 118 anos evoluímos e progredimos radicalmente. Muito pouco tempo para muitas descobertas científicas que alteraram completamente o cenário mundial. Descobrimos a anestesia; os antibióticos; realizamos exames de imagem como tomografia e ressonância nuclear magnética; desvendamos a genética;  desenvolvemos medicamentos sofisticados que controlam inúmeras doenças outrora mortais e para citar um outro exemplo máximo, produzimos vacinas absolutamente eficazes que diminuíram a morbimortalidade por doenças antes fatais. A varíola está extinta do planeta.

A perspectiva de vida com qualidade, dos que nascerem este ano que entra é de 100 anos. Isso significa que quem nascer em 2018 pode viver até 2118. Mas… Será que todos os brasileiros terão saúde para chegar aos 100 anos? Aí é que está. Vamos refletir.

O progresso e a ciência em evolução descobrem milhares de medicamentos e/ou procedimentos novos que salvarão muitas vidas no mundo inteiro. No entanto, para os brasileiros que dependem do SUS, essa pode não ser uma realidade atingível.

Para que o progresso realmente seja útil e abrangente, TODAS as pessoas devem ter acesso à saúde, independentemente de quem seja. TODAS as pessoas devem ter possibilidade de acesso – rapidamente – aos protocolos terapêuticos mais atualizados. TODAS as pessoas devem ter possibilidade de atendimento com respeito e dignidade, sem ter que passar pelo desespero de ter que passar meses ou anos aguardando uma consulta para diagnóstico, exames e tratamento. Tudo isso sem ter que passar pela humilhação de ser colocada em condições sub-humanas nos corredores de um PS lotado e sem estrutura humana e terapêutica.

Doenças transmitidas por mosquitos deixam sequelas e/ou matam brasileiros em uma proporção assustadora, ainda nos dias atuais. A sífilis está de volta, contaminando e lesionando milhares de bebês recém-nascidos; o câncer é fatal quando tardiamente diagnosticado em muitos brasileiros – crianças e adultos – que não tem acesso aos check ups rotineiros recomendados por  protocolos mundiais. A hipertensão arterial acomete quase metade dos brasileiros com mais de 60 anos.

Nos últimos 5 anos os brasileiros perderam aproximadamente 24000 leitos hospitalares. O Pronto Atendimento de Pediatria do Hospital Universitário da USP, conhecido pela excelência do atendimento oferecido à população da região oeste da maior cidade deste país fechou suas portas por falta de verbas para contratação de pediatras.

De que vale todo o conhecimento científico mais moderno, se este apenas servir uma parcela privilegiada da população?

O SUS está na UTI, em estado grave.

Em 2018, as perspectivas para a saúde dos brasileiros dependentes do Sistema Único de Saúde são absolutamente sombrias. Ou o governo encara sua responsabilidade com seriedade e competência ou assistiremos ao colapso fatal daquele que nasceu para ser um modelo de assistência e prevenção e que deveria responder pelo que reza a Constituição de 1988: “saúde é direito de todos e dever do Estado”. Será?

 

Fonte: Dra. Ana Escobar – Bem Estar

Redação: Dr. Diógenes Alcântara – Coordenação e Renata Nagli – jornalista

 



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *